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Aula 51 — Empuxo e Princípio de Arquimedes (Por que os navios flutuam?)

50 min

Objetivo geral

Compreender o empuxo como a força que um fluido exerce sobre um corpo nele submerso, E=ρ_fluido·g·Vsubmerso (Princípio de Arquimedes), decorrente da diferença de pressão hidrostática entre a base e o topo do corpo.

Objetivos específicos

  • Enunciar o Princípio de Arquimedes: o empuxo é igual ao peso do fluido deslocado pelo corpo.
  • Calcular o empuxo usando E=ρ_fluido·g·Vsubmerso.
  • Deduzir, a partir do Teorema de Stevin, por que existe uma força resultante para cima sobre um corpo submerso.
  • Reconhecer que o empuxo depende do volume SUBMERSO e da densidade do FLUIDO, nunca da densidade nem do peso do corpo em si.

Conhecimentos prévios

  • Teorema de Stevin, ΔP=ρ·g·Δh (Aula 49).
  • Densidade como razão entre massa e volume (pré-requisito).

Recursos didáticos

  • Apresentação de slides — Possor_Aula51_Apresentacao.pptx (11 slides, inclui um desafio "Ache o erro").
  • Quadro/lousa e material de escrita.
  • Um objeto pequeno e uma bacia com água, para sentir a diferença de peso aparente ao submergir o objeto.

Desenvolvimento da aula

Acolhida e Sondagem de Conhecimentos Prévios

5 min · Ausubel — ativação de subsunçores

O professor pergunta: "como um navio de aço, muito mais denso que a água, consegue flutuar?" Ouvir hipóteses.

Problematização Inicial

5 min · Bachelard — obstáculo epistemológico antecipado

Perguntar se "ser feito de um material denso" já decide se algo afunda. Obstáculo a nomear (sem resolver ainda): comparar só a densidade do MATERIAL isolado (o aço é mais denso que a água) sem considerar o formato e o volume do objeto completo — o casco oco do navio desloca um volume enorme de água, e o que importa para a flutuação é a densidade MÉDIA do navio inteiro, incluindo todo o ar dentro do casco, não a densidade do aço isoladamente.

Desenvolvimento Conceitual

20 min · Exposição dialogada

Apresentação dos slides 2 a 8: dedução do empuxo a partir do Teorema de Stevin — a face inferior de um corpo submerso está mais profunda que a face superior, logo sofre mais pressão de baixo para cima do que a força de cima para baixo na face superior; essa diferença resulta no empuxo, E=ρ_fluido·g·Vsubmerso (peso do fluido deslocado). Resolução explícita do obstáculo do Momento 2: o navio tem casco oco cheio de ar — a densidade média do navio (massa total, incluindo o ar interno, dividida pelo volume total do casco) fica menor que a da água, mesmo o aço sendo bem mais denso que a água isoladamente; por isso ele desloca um volume de água cujo peso equilibra o peso total do navio.

Resolução Guiada

10 min · Vygotsky — Zona de Desenvolvimento Proximal

O professor resolve em voz alta o empuxo sobre um objeto totalmente submerso de volume conhecido, em água. Em seguida, propõe à turma, em duplas, recalcular o empuxo sobre o mesmo objeto submerso num fluido de densidade diferente.

Exercícios de Fixação

7 min · Prática independente

Aplicação individual (ou em duplas) da lista de exercícios de fixação (seção 8 deste plano). O professor circula pela sala, corrigindo quem usa a densidade ou o peso do CORPO em vez do fluido na fórmula do empuxo, ou confunde volume submerso com volume total.

Síntese e Fechamento

3 min · Consolidação (fechamento circular)

Retomar a pergunta do Momento 1: o navio flutua porque sua densidade MÉDIA (incluindo o ar do casco) é menor que a da água, mesmo o aço isolado sendo mais denso. Reforçar que o empuxo depende do fluido deslocado, nunca do material do corpo isoladamente.

Avaliação formativa

Ao longo da aula: perguntas rápidas de verificação (Momento 3) e observação direta durante a resolução guiada (Momento 4), checando se os alunos usam a densidade do FLUIDO, não a do corpo, na fórmula do empuxo. Ao final: correção coletiva dos exercícios, com atenção especial à confusão entre volume submerso e volume total do corpo.

Lista de exercícios

1. Um objeto de volume 0,002 m3 está totalmente submerso em água (ρ=1000 kg/m3, g=9,8 m/s2). Calcule o empuxo sobre ele.

Gabarito: E = ρ·g·V = 1000×9,8×0,002 = 19,6 N.

2. O mesmo objeto do exercício anterior é totalmente submerso em óleo (ρ=800 kg/m3). Calcule o novo empuxo.

Gabarito: E = 800×9,8×0,002 = 15,68 N.

3. Um objeto de volume total 0,01 m3 está flutuando em água, com apenas 0,006 m3 submerso. Calcule o empuxo sobre ele.

Gabarito: E = ρ·g·Vsubmerso = 1000×9,8×0,006 = 58,8 N — usa-se só o volume SUBMERSO, não o volume total do objeto.

4. Explique, usando o Teorema de Stevin, por que existe uma força de empuxo para cima sobre um corpo totalmente submerso num fluido em repouso.

Gabarito: A face inferior do corpo está a uma profundidade maior que a face superior, logo, pelo Teorema de Stevin, a pressão na face inferior é maior. Como pressão é força por área, a força que o fluido exerce de baixo para cima na face inferior é maior que a força de cima para baixo na face superior — a diferença resultante é o empuxo.

5. Um navio de aço, material bem mais denso que a água, consegue flutuar. Explique por quê, sem contradizer o fato de o aço ser mais denso que a água.

Gabarito: O que determina a flutuação não é a densidade do material isolado (aço), mas a densidade média do navio como um todo, incluindo todo o espaço vazio (ar) dentro do casco. Como esse volume de ar é grande, a densidade média do navio (massa total dividida pelo volume total do casco) fica menor que a da água, permitindo que ele flutue mesmo sendo feito de um material mais denso que a água.

Observações e extensão

Próxima aula: Condições de Flutuação — densidade e equilíbrio de corpos submersos, a última aula do Módulo 4. Nota para o professor: esta aula já antecipou a ideia de densidade MÉDIA determinando a flutuação (Momento 3) — a Aula 52 formaliza essa comparação (ρ_corpo médio vs ρ_fluido) como as três condições de equilíbrio: afundar, flutuar parcialmente submerso, ou permanecer em equilíbrio totalmente submerso.