Aula 173 — Fissão Nuclear (Reatores e bombas atômicas)
50 minObjetivo geral
Compreender o processo de fissão nuclear, a reação em cadeia e o funcionamento controlado (reatores) e descontrolado (bombas atômicas) da liberação de energia por fissão.
Objetivos específicos
- Descrever o processo de fissão nuclear induzida (um núcleo pesado, ao absorver um nêutron, se divide em dois núcleos menores, liberando nêutrons adicionais e energia).
- Relacionar a energia liberada na fissão à curva de energia de ligação por núcleon (Aula 170): a fissão transforma um núcleo pesado em núcleos mais leves e mais fortemente ligados.
- Explicar reação em cadeia e massa crítica, distinguindo reações subcríticas, críticas e supercríticas.
- Comparar o funcionamento controlado de um reator nuclear (moderador, barras de controle) com a reação descontrolada de uma bomba atômica.
Conhecimentos prévios
- Energia de ligação nuclear e a curva de estabilidade por número de massa, Módulo 12, Aula 170.
- Lei de conservação de energia e a equivalência massa-energia, Módulo 11, Aula 162.
Recursos didáticos
- Apresentação de slides — Possor_Aula173_Apresentacao.pptx.
- Diagrama da reação em cadeia da fissão (nêutron + urânio-235 → fragmentos + nêutrons) e esquema simplificado de um reator nuclear.
- Quadro/lousa e material de escrita.
Desenvolvimento da aula
Acolhida e Sondagem de Conhecimentos Prévios
5 min · Ausubel — ativação de subsunçoresO professor pergunta: "como um único nêutron, ao atingir um núcleo de urânio, pode desencadear a liberação de uma quantidade de energia milhões de vezes maior do que a de uma reação química comum?" Ouvir hipóteses.
Problematização Inicial
5 min · Bachelard — obstáculo epistemológico antecipadoPerguntar: se cada fissão libera, em média, mais de um nêutron capaz de provocar novas fissões, o que impede essa reação de crescer sem controle em QUALQUER situação? Obstáculo a nomear (sem resolver ainda): achar que toda reação em cadeia de fissão é necessariamente explosiva — a diferença entre um reator nuclear e uma bomba atômica está justamente em como essa reação em cadeia é controlada.
Desenvolvimento Conceitual
20 min · Exposição dialogadaApresentação dos slides 2 a 9: na fissão nuclear induzida, um núcleo pesado e instável (como urânio-235 ou plutônio-239) absorve um nêutron e se divide em dois núcleos menores (fragmentos de fissão), liberando também 2 a 3 nêutrons adicionais e uma grande quantidade de energia — ex.: nêutron + urânio-235 → bário-141 + criptônio-92 + 3 nêutrons + energia. Essa energia liberada é consistente com a curva de energia de ligação por núcleon (Aula 170): núcleos pesados como o urânio têm energia de ligação por núcleon MENOR que núcleos de massa intermediária como o bário e o criptônio; ao se dividir, o sistema "desce" em direção a núcleos mais fortemente ligados, liberando a diferença de energia. Como cada fissão libera mais de um nêutron, e cada um desses nêutrons pode provocar uma nova fissão, forma-se uma reação em cadeia: se, em média, cada fissão gerar exatamente uma nova fissão, a reação é crítica (taxa constante); se gerar menos de uma, é subcrítica (a reação se apaga); se gerar mais de uma, é supercrítica (a taxa cresce exponencialmente) — isso resolve o obstáculo do Momento 2. Um reator nuclear opera de forma controlada, mantendo a reação próxima da criticidade: um moderador (geralmente água ou grafite) desacelera os nêutrons para aumentar a chance de nova fissão, e barras de controle (de cádmio ou boro, materiais que absorvem nêutrons) são inseridas ou retiradas do núcleo do reator para ajustar a taxa de reação com precisão. Já uma bomba atômica utiliza material físsil altamente enriquecido, reunido rapidamente numa massa supercrítica, deliberadamente sem qualquer moderação ou controle, provocando uma reação em cadeia exponencial e descontrolada em frações de segundo.
Resolução Guiada
10 min · Vygotsky — Zona de Desenvolvimento ProximalResolução guiada: contar coletivamente, geração a geração, o número de fissões numa reação supercrítica em que cada fissão gera, em média, 2 novas fissões (1, 2, 4, 8, 16... — crescimento exponencial), destacando como poucas gerações já produzem um número enorme de fissões. Em duplas: balancear a equação de fissão nêutron + urânio-235 → bário-141 + criptônio-92 + 3 nêutrons, conferindo a conservação de Z (92=56+36) e de A (1+235=141+92+3×1).
Exercícios de Fixação
7 min · Prática independenteAplicação individual (ou em duplas) da lista de exercícios de fixação (seção 8 deste plano).
Síntese e Fechamento
3 min · Consolidação (fechamento circular)Retomar a pergunta do Momento 1: a fissão libera tanta energia porque transforma um núcleo pesado, menos fortemente ligado, em núcleos de massa intermediária, mais fortemente ligados — a diferença é liberada como energia, e o fato de cada fissão gerar novos nêutrons permite (de forma controlada, num reator, ou descontrolada, numa bomba) sustentar uma reação em cadeia.
Avaliação formativa
Ao longo da aula: perguntas rápidas de verificação (Momento 3) e observação direta durante a resolução guiada (Momento 4). Ao final: correção coletiva dos exercícios.
Lista de exercícios
1. Descreva, em linhas gerais, o processo de fissão nuclear induzida do urânio-235.
Gabarito: Um núcleo de urânio-235 absorve um nêutron, tornando-se instável e se dividindo em dois núcleos menores (fragmentos de fissão, como bário e criptônio), liberando também 2 a 3 nêutrons adicionais e uma grande quantidade de energia.
2. Explique, usando a curva de energia de ligação por núcleon (Aula 170), por que a fissão de um núcleo pesado libera energia.
Gabarito: Núcleos pesados, como o urânio, têm energia de ligação por núcleon menor do que núcleos de massa intermediária. Quando um núcleo pesado se divide em dois núcleos de massa intermediária, o sistema passa a ter maior energia de ligação por núcleon total, e a diferença de energia é liberada.
3. Diferencie reação em cadeia subcrítica, crítica e supercrítica.
Gabarito: Subcrítica: em média, cada fissão gera menos de uma nova fissão, e a reação se apaga com o tempo. Crítica: em média, cada fissão gera exatamente uma nova fissão, mantendo uma taxa constante de reação (situação normal de um reator em operação estável). Supercrítica: em média, cada fissão gera mais de uma nova fissão, e a taxa de reação cresce exponencialmente (situação de uma explosão nuclear).
4. Qual é a função do moderador e qual é a função das barras de controle num reator nuclear?
Gabarito: O moderador (geralmente água ou grafite) desacelera os nêutrons produzidos na fissão, aumentando a probabilidade de que provoquem novas fissões. As barras de controle (de cádmio ou boro) absorvem nêutrons e são inseridas ou retiradas do núcleo do reator para ajustar a taxa da reação em cadeia, mantendo-a controlada em torno da criticidade.
5. Por que um reator nuclear, mesmo usando o mesmo tipo de combustível físsil de uma bomba atômica, não pode explodir como uma bomba?
Gabarito: Resposta aberta — espera-se que o aluno explique que o combustível de um reator não está suficientemente enriquecido nem reunido de forma a atingir uma massa supercrítica descontrolada; além disso, moderadores e barras de controle mantêm deliberadamente a reação próxima da criticidade (taxa constante), impedindo o crescimento exponencial descontrolado necessário para uma explosão nuclear.
Observações e extensão
Próxima aula: Fusão Nuclear (A energia gerada pelas estrelas). Nota para o professor: vale antecipar, ao final desta aula, que a mesma curva de energia de ligação por núcleon que explica a fissão (lado direito da curva, núcleos pesados) explica também, no lado esquerdo (núcleos leves), o processo inverso e complementar que será estudado na próxima aula: a fusão nuclear.