← Módulo

Aula 134 — Pré-Modernismo: rupturas, Euclides da Cunha, Lima Barreto

50 min

Objetivo geral

Reconhecer o Pré-Modernismo como período de transição e ruptura, identificando as obras de Euclides da Cunha e Lima Barreto.

Objetivos específicos

  • Situar o Pré-Modernismo como um momento de transição, sem unidade estética própria, marcado por rupturas com o academicismo anterior.
  • Reconhecer "Os Sertões", de Euclides da Cunha, como obra híbrida entre reportagem, ciência e literatura sobre a Guerra de Canudos.
  • Reconhecer Lima Barreto como autor de crítica social direta às contradições raciais e sociais da Primeira República.

Conhecimentos prévios

  • Naturalismo: cientificismo e Aluísio Azevedo (Módulo 17, Aula 2), pelo interesse comum em explicações deterministas.
  • Realismo: crítica social (Módulo 17, Aula 1).

Recursos didáticos

  • Apresentação de slides — Possor_PortAula134_Apresentacao.pptx.
  • Um trecho de "Os Sertões" e um de Lima Barreto, para identificação do tom de crítica e ruptura.

Desenvolvimento da aula

Acolhida e Sondagem

5 min · Ausubel — ativação de subsunçores

Perguntar: um livro pode, ao mesmo tempo, ser um relato jornalístico de uma guerra, um estudo científico sobre o território e uma obra literária? Isso é possível?

Problematização Inicial

5 min · Bachelard — obstáculo epistemológico antecipado

Mostrar um trecho de "Os Sertões" misturando linguagem técnica (geografia, sociologia) com narrativa dramática dos eventos da Guerra de Canudos, e perguntar: esse texto pertence a que gênero — ciência, jornalismo ou literatura? Obstáculo a nomear: achar que um texto precisa se encaixar perfeitamente em uma única categoria (ciência OU literatura), sem perceber que "Os Sertões" é uma obra deliberadamente híbrida.

Desenvolvimento Conceitual

20 min · Exposição dialogada

O Pré-Modernismo (primeiras décadas do século XX) não é uma escola literária unificada com um programa estético comum, mas um período de transição, reunindo autores que rompem, cada um a seu modo, com o academicismo dos movimentos anteriores (Parnasianismo, Simbolismo), preparando o terreno para a ruptura radical do Modernismo que viria a seguir. "Os Sertões", de Euclides da Cunha, é a obra mais emblemática do período: híbrida entre reportagem (relata a Guerra de Canudos, conflito armado no interior da Bahia entre tropas do governo e seguidores de Antônio Conselheiro), ciência (aplica conhecimentos de geografia, geologia e sociologia da época, num tom fortemente influenciado pelo determinismo naturalista, para explicar o território e o povo sertanejo) e literatura (usa recursos narrativos e uma linguagem elaborada para narrar os eventos dramáticos do conflito) — a obra é dividida em três partes: "A Terra", "O Homem" e "A Luta". Lima Barreto representa outra vertente do período: sua prosa faz crítica social direta e contundente às contradições raciais, sociais e institucionais da Primeira República brasileira, com um olhar marcado por sua própria experiência como homem negro e pobre num Brasil que se pretendia moderno mas mantinha profundas desigualdades — sua obra mais conhecida, "Triste Fim de Policarpo Quaresma", satiriza o nacionalismo ingênuo e expõe as contradições do projeto republicano brasileiro. Resolvendo o obstáculo: "Os Sertões" não precisa se encaixar numa única categoria — é justamente sua natureza híbrida entre ciência, jornalismo e literatura que a torna uma obra singular e representativa de um período de transição que ainda não tinha um projeto estético unificado.

Resolução Guiada

10 min · Vygotsky — Zona de Desenvolvimento Proximal

Coletivamente, identificar no trecho de "Os Sertões" elementos científicos, jornalísticos e literários combinados. Em duplas: discutir como a crítica social de Lima Barreto se diferencia da crítica social já vista no Realismo machadiano.

Exercícios de Fixação

7 min · Prática independente

Aplicação individual da lista de exercícios de fixação.

Síntese e Fechamento

3 min · Consolidação (fechamento circular)

Reforçar que o Pré-Modernismo é um período de transição sem unidade estética, reunindo obras híbridas como "Os Sertões" e a crítica social direta de Lima Barreto, preparando terreno para a ruptura do Modernismo.

Avaliação formativa

Correção coletiva da identificação dos elementos híbridos em "Os Sertões". Observação da comparação de crítica social em duplas.

Lista de exercícios

1. Por que o Pré-Modernismo não é considerado uma escola literária unificada, como o Realismo ou o Parnasianismo?

Gabarito: Porque reúne autores com projetos e estilos bastante diferentes entre si, sem um programa estético comum — é um período de transição marcado por rupturas diversas com o academicismo anterior, não por uma unidade de estilo.

2. Explique por que "Os Sertões" é considerada uma obra híbrida.

Gabarito: Porque combina elementos de reportagem (relato da Guerra de Canudos), ciência (geografia, geologia e sociologia da época, com influência determinista) e literatura (linguagem elaborada e recursos narrativos), sem se encaixar perfeitamente em uma única categoria.

3. Quais são as três partes em que "Os Sertões" se divide?

Gabarito: "A Terra", "O Homem" e "A Luta".

4. Que tipo de crítica social Lima Barreto faz em sua obra, e a partir de que perspectiva pessoal?

Gabarito: Crítica direta e contundente às contradições raciais, sociais e institucionais da Primeira República, a partir de sua própria experiência como homem negro e pobre num Brasil que se pretendia moderno, mas mantinha desigualdades profundas.

5. O que "Triste Fim de Policarpo Quaresma" satiriza?

Gabarito: O nacionalismo ingênuo e as contradições do projeto republicano brasileiro.

Observações e extensão

Próxima aula: Modernismo 1ª fase (Semana de 22, Oswald, Mário, Manuel Bandeira). Nota para o professor: esta aula abre o módulo — vale situar o Pré-Modernismo como uma "ponte" histórica, não como uma escola com regras próprias fixas.