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Aula 135 — Modernismo 1ª fase: Semana de 22, Oswald, Mário, Manuel Bandeira

50 min

Objetivo geral

Reconhecer o Modernismo de primeira fase pela ruptura radical com a tradição, situando a Semana de Arte Moderna de 1922 e seus principais nomes.

Objetivos específicos

  • Situar a Semana de Arte Moderna de 1922 como marco de ruptura formal e temática na literatura brasileira.
  • Reconhecer a linguagem coloquial, o verso livre e o humor/irreverência como marcas centrais da primeira fase modernista.
  • Identificar Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Manuel Bandeira como principais nomes dessa fase.

Conhecimentos prévios

  • Parnasianismo: "a arte pela arte" (Módulo 17, Aula 3), para contraste direto de valores estéticos.
  • Pré-Modernismo (Aula 1), como preparação para a ruptura.

Recursos didáticos

  • Apresentação de slides — Possor_PortAula135_Apresentacao.pptx.
  • Um poema modernista de primeira fase com linguagem coloquial e verso livre, para análise de ruptura formal.

Desenvolvimento da aula

Acolhida e Sondagem

5 min · Ausubel — ativação de subsunçores

Perguntar: depois de décadas de poesia com métrica rígida, rima elaborada e vocabulário culto (Parnasianismo), o que uma nova geração de escritores poderia querer romper?

Problematização Inicial

5 min · Bachelard — obstáculo epistemológico antecipado

Mostrar um poema modernista de primeira fase com linguagem coloquial, verso livre e até certo humor irreverente, ao lado de um soneto parnasiano perfeito tecnicamente, e perguntar: o poema modernista é "pior" por não seguir as regras formais rígidas? Obstáculo a nomear: julgar a qualidade de um poema modernista pelos critérios formais do Parnasianismo (métrica regular, rima elaborada), sem perceber que o Modernismo rompe deliberadamente com esses critérios em busca de outros valores estéticos.

Desenvolvimento Conceitual

20 min · Exposição dialogada

A Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922 no Theatro Municipal de São Paulo, é o marco simbólico do início do Modernismo brasileiro — um evento que reuniu poesia, artes plásticas e música numa proposta deliberadamente rupturista com os padrões estéticos acadêmicos (Parnasianismo, Simbolismo), gerando escândalo e resistência do público mais conservador da época. A primeira fase modernista (também chamada fase heroica ou de destruição, 1922-1930) é marcada pela ruptura radical com a tradição: verso livre (sem métrica ou rima fixas obrigatórias), linguagem coloquial (incorporando o português falado no Brasil, com suas marcas próprias, em vez do vocabulário culto e rebuscado valorizado antes), humor e irreverência (paródias, provocações, tom despretensioso que contrasta com a solenidade anterior), e forte interesse em construir uma identidade nacional a partir da cultura brasileira real (não do índio idealizado do Romantismo, mas do cotidiano, do folclore, da diversidade cultural concreta do país). Oswald de Andrade é conhecido por sua poesia-piada (poemas curtos, irônicos, de forte impacto visual) e pelos manifestos que teorizam o projeto modernista, como o "Manifesto Pau-Brasil" e o "Manifesto Antropófago" (que propõe "devorar" culturalmente influências estrangeiras para produzir algo genuinamente brasileiro). Mário de Andrade é figura central do movimento, com poesia inovadora e o romance "Macunaíma" (que mistura mitologia indígena, folclore brasileiro e crítica à identidade nacional, num tom experimental). Manuel Bandeira, com uma poesia mais lírica e intimista dentro do espírito modernista, combina simplicidade de linguagem com temas cotidianos e, por vezes, uma melancolia contida. Resolvendo o obstáculo: o poema modernista não é "pior" por abandonar métrica e rima fixas — ele segue um projeto estético deliberadamente diferente, que valoriza a liberdade formal, a linguagem coloquial brasileira e a ruptura com a tradição acadêmica como forma de expressar uma identidade nacional mais autêntica.

Resolução Guiada

10 min · Vygotsky — Zona de Desenvolvimento Proximal

Coletivamente, identificar no poema de abertura os traços de ruptura (verso livre, linguagem coloquial, humor). Em duplas: pesquisar (ou, se fornecido pelo professor, ler) um trecho do "Manifesto Antropófago" e discutir a metáfora da antropofagia cultural.

Exercícios de Fixação

7 min · Prática independente

Aplicação individual da lista de exercícios de fixação.

Síntese e Fechamento

3 min · Consolidação (fechamento circular)

Reforçar as marcas da primeira fase modernista: verso livre, linguagem coloquial, humor/irreverência e busca de identidade nacional a partir da cultura brasileira real, não idealizada.

Avaliação formativa

Correção coletiva da identificação de traços de ruptura no poema. Observação da discussão sobre antropofagia cultural em duplas.

Lista de exercícios

1. O que foi a Semana de Arte Moderna de 1922, e por que é considerada um marco?

Gabarito: Um evento realizado no Theatro Municipal de São Paulo em fevereiro de 1922, reunindo poesia, artes plásticas e música numa proposta rupturista com os padrões acadêmicos, sendo considerado o marco simbólico do início do Modernismo brasileiro.

2. Cite três marcas centrais da primeira fase modernista.

Gabarito: Resposta aberta, entre: verso livre, linguagem coloquial, humor/irreverência, busca de identidade nacional a partir da cultura brasileira real.

3. O que propõe o "Manifesto Antropófago", de Oswald de Andrade?

Gabarito: Propõe "devorar" culturalmente influências estrangeiras (metáfora da antropofagia) para produzir, a partir dessa digestão cultural, algo genuinamente brasileiro.

4. Por que um poema modernista de primeira fase, com verso livre e linguagem coloquial, não deve ser julgado como "pior" pelos critérios formais do Parnasianismo?

Gabarito: Porque segue um projeto estético diferente e deliberado, que valoriza a liberdade formal e a linguagem brasileira real como forma de expressar uma identidade nacional autêntica, em vez de buscar a perfeição técnica valorizada pelo Parnasianismo.

5. Associe cada autor à sua principal marca: Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira.

Gabarito: Oswald de Andrade: poesia-piada e manifestos teóricos (Pau-Brasil, Antropófago); Mário de Andrade: experimentalismo e "Macunaíma"; Manuel Bandeira: poesia lírica e intimista, linguagem simples.

Observações e extensão

Próxima aula: Modernismo 2ª fase (prosa de 30, Graciliano, Drummond, Vinícius). Nota para o professor: se possível, mostrar imagens de obras de artes plásticas expostas na Semana de 22 (Anita Malfatti, Di Cavalcanti) para contextualizar o evento além da literatura.