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Aula 136 — Modernismo 2ª fase: prosa de 30, Graciliano, Drummond, Vinícius

50 min

Objetivo geral

Reconhecer o Modernismo de segunda fase, com foco na prosa regionalista de 30 e na poesia de Drummond e Vinícius de Moraes.

Objetivos específicos

  • Reconhecer a prosa de 30 (regionalista e social) como amadurecimento da crítica social modernista, com destaque para Graciliano Ramos.
  • Identificar Carlos Drummond de Andrade como poeta de reflexão existencial e social, com evolução temática ao longo da obra.
  • Reconhecer Vinícius de Moraes na transição entre poesia lírica erudita e produção popular/musical.

Conhecimentos prévios

  • Modernismo 1ª fase (Aula 2), para contraste de tom e maturidade estética.
  • Regionalismo romântico (Módulo 16, Aula 3), pelo contraste de tratamento do tema regional.

Recursos didáticos

  • Apresentação de slides — Possor_PortAula136_Apresentacao.pptx.
  • Um trecho de "Vidas Secas" e um poema de Drummond, para comparação de tom e maturidade.

Desenvolvimento da aula

Acolhida e Sondagem

5 min · Ausubel — ativação de subsunçores

Perguntar: depois da fase inicial de ruptura e provocação do Modernismo, o que uma geração seguinte de escritores poderia querer fazer — continuar provocando, ou aprofundar?

Problematização Inicial

5 min · Bachelard — obstáculo epistemológico antecipado

Mostrar um trecho de "Vidas Secas" com linguagem seca, contida, quase sem adjetivos, retratando a miséria de uma família sertaneja, e perguntar: esse texto ainda tem a irreverência e o humor da primeira fase modernista? Obstáculo a nomear: achar que toda a produção modernista mantém o mesmo tom de provocação e humor da primeira fase (Semana de 22), sem perceber o amadurecimento e a diversidade de tons da segunda fase.

Desenvolvimento Conceitual

20 min · Exposição dialogada

A segunda fase do Modernismo (1930-1945) amadurece o projeto inicial, abandonando parte da irreverência inicial em favor de uma produção mais reflexiva e engajada socialmente, num contexto histórico marcado pela crise de 1929, pela ascensão de regimes autoritários e por tensões sociais no Brasil. A prosa de 30 é marcada pelo regionalismo social: romances ambientados no Nordeste, retratando a seca, a miséria e as desigualdades sociais com linguagem contida e crítica direta — Graciliano Ramos é o principal nome, com "Vidas Secas", que narra a saga de uma família de retirantes (Fabiano, sua mulher e filhos, além do cachorro Baleia) fugindo da seca, com uma linguagem enxuta, seca como a própria paisagem retratada, e forte carga social sem apelo sentimental exagerado. Carlos Drummond de Andrade é um dos maiores poetas brasileiros, com obra que evolui ao longo de décadas: da ironia e do desconcerto existencial inicial ("No meio do caminho tinha uma pedra"), passando por fases de maior engajamento social e político, até uma poesia mais madura e reflexiva sobre a condição humana, a memória e o tempo. Vinícius de Moraes representa uma ponte interessante entre a poesia lírica erudita (seus sonetos de amor, como o "Soneto de Fidelidade") e a produção popular e musical que ele desenvolveria mais tarde (parcerias na Bossa Nova), mostrando que a poesia culta e a cultura popular brasileira não são necessariamente incompatíveis. Resolvendo o obstáculo: a segunda fase modernista não mantém o mesmo tom de provocação e humor da Semana de 22 — ela amadurece o projeto modernista inicial, incorporando maior gravidade social (na prosa regionalista) e reflexão existencial mais profunda (na poesia de Drummond), sem abandonar a linguagem mais livre e brasileira conquistada na primeira fase.

Resolução Guiada

10 min · Vygotsky — Zona de Desenvolvimento Proximal

Coletivamente, identificar no trecho de "Vidas Secas" a linguagem enxuta e a crítica social contida. Em duplas: comparar o tom do poema de Drummond apresentado com o tom mais irreverente típico da primeira fase modernista.

Exercícios de Fixação

7 min · Prática independente

Aplicação individual da lista de exercícios de fixação.

Síntese e Fechamento

3 min · Consolidação (fechamento circular)

Reforçar que a segunda fase modernista amadurece o projeto inicial: prosa de 30 (regionalismo social, Graciliano Ramos), poesia de Drummond (reflexão existencial e social) e a ponte de Vinícius entre erudito e popular.

Avaliação formativa

Correção coletiva da identificação da linguagem enxuta em "Vidas Secas". Observação da comparação de tom em duplas.

Lista de exercícios

1. Que romance de Graciliano Ramos é a principal obra da prosa regionalista de 30, e que família ele retrata?

Gabarito: "Vidas Secas"; retrata a família de retirantes formada por Fabiano, sua mulher, os filhos e o cachorro Baleia, fugindo da seca no sertão nordestino.

2. Por que a linguagem de "Vidas Secas" é descrita como "enxuta" ou "seca"?

Gabarito: Porque usa poucos adjetivos e uma sintaxe contida, quase árida, que reflete a própria paisagem e as condições de vida retratadas, sem apelo sentimental exagerado.

3. Cite uma característica da evolução poética de Carlos Drummond de Andrade ao longo de sua obra.

Gabarito: Resposta aberta — exemplos aceitáveis: passa da ironia e do desconcerto existencial inicial para fases de maior engajamento social e político, até uma poesia mais madura sobre a condição humana, a memória e o tempo.

4. Por que Vinícius de Moraes é descrito como uma "ponte" entre poesia erudita e cultura popular?

Gabarito: Porque produziu tanto poesia lírica erudita (sonetos de amor) quanto, mais tarde, letras para a música popular brasileira (parcerias na Bossa Nova), unindo os dois universos.

5. Explique por que a segunda fase modernista não deve ser confundida com uma simples continuação do tom de provocação da Semana de 22.

Gabarito: Porque amadurece o projeto modernista inicial, incorporando maior gravidade social e reflexão existencial mais profunda, num contexto histórico de crise econômica e tensões políticas, diferente do tom mais irreverente e provocativo da primeira fase.

Observações e extensão

Próxima aula: Modernismo 3ª fase (Geração de 45, Guimarães Rosa, Clarice Lispector). Nota para o professor: "Vidas Secas" costuma render boa discussão interdisciplinar com Geografia/História sobre a seca no Nordeste.