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Aula 83 — Vícios de linguagem: ambiguidade, barbarismo, solecismo, eco, cacofonia, redundância

50 min

Objetivo geral

Reconhecer os principais vícios de linguagem — ambiguidade, barbarismo, solecismo, eco, cacofonia e redundância — e propor correções.

Objetivos específicos

  • Reconhecer ambiguidade como duplo sentido não intencional que prejudica a clareza.
  • Diferenciar barbarismo (erro de forma da palavra) de solecismo (erro de sintaxe/concordância/regência).
  • Reconhecer eco e cacofonia como problemas sonoros não intencionais.
  • Reconhecer redundância (pleonasmo vicioso) como repetição desnecessária de uma ideia.

Conhecimentos prévios

  • Pleonasmo estilístico (Aula 6, para contraste).

Recursos didáticos

  • Apresentação de slides — Possor_PortAula83_Apresentacao.pptx.
  • Lista de frases com vícios de linguagem, para identificação e correção.

Desenvolvimento da aula

Acolhida e Sondagem

5 min · Ausubel — ativação de subsunçores

Escrever "Vi o cachorro do meu vizinho correndo na rua" e perguntar: quem estava correndo, o cachorro ou o vizinho?

Problematização Inicial

5 min · Bachelard — obstáculo epistemológico antecipado

Perguntar: essa ambiguidade foi proposital, como nas figuras de linguagem vistas nas aulas anteriores, ou é um problema de clareza? Obstáculo a nomear: achar que qualquer duplo sentido ou repetição no texto é sempre uma figura de linguagem intencional, sem reconhecer que existem desvios não intencionais que prejudicam a comunicação (vícios de linguagem).

Desenvolvimento Conceitual

20 min · Exposição dialogada

Diferente das figuras de linguagem (recursos expressivos INTENCIONAIS, vistos nas últimas três aulas), vícios de linguagem são desvios NÃO intencionais que prejudicam a clareza ou a correção do texto. Ambiguidade é um duplo sentido não intencional que confunde o leitor (Vi o cachorro do meu vizinho correndo na rua — não fica claro quem corria). Barbarismo é um erro na FORMA da palavra: pronúncia errada, grafia errada, ou flexão incorreta ("rúbrica" pronunciado "rubríca"; "previsto" grafado "prevesto"). Solecismo é um erro de SINTAXE: concordância, regência ou colocação incorretas ("Fazem dois anos que...", quando deveria ser "Faz dois anos", verbo impessoal). Eco é a repetição não intencional de terminações sonoras semelhantes, geralmente de rima, que soa estranha em prosa ("A ação da nação lhe deu satisfação"). Cacofonia é a formação, pela junção de duas palavras, de um som desagradável, engraçado ou de sentido indesejado ("Vou-me já" soando "vou me jaa"; "Ela boca aberta" formando outro som). Redundância (pleonasmo vicioso) é a repetição desnecessária de uma ideia, sem efeito expressivo intencional ("Subir para cima", "Entrar para dentro", "Hemorragia de sangue"). Resolvendo o obstáculo: a diferença crucial entre figura de linguagem e vício de linguagem é a INTENÇÃO — a figura é um recurso expressivo usado propositalmente para dar efeito ao texto; o vício é um deslize NÃO intencional que atrapalha a comunicação e deve ser corrigido.

Resolução Guiada

10 min · Vygotsky — Zona de Desenvolvimento Proximal

Coletivamente, identificar e corrigir 5 frases com vícios de linguagem variados. Em duplas: repetir com 8 frases, classificando cada vício e propondo a correção.

Exercícios de Fixação

7 min · Prática independente

Aplicação individual da lista de exercícios de fixação.

Síntese e Fechamento do Módulo

3 min · Consolidação (fechamento circular)

Retomar a trilha do módulo: sinonímia/antonímia/homonímia/paronímia, denotação/conotação/polissemia, pressupostos/subentendidos, figuras de palavras, de pensamento, de construção e vícios de linguagem — o critério final que separa figura de vício é sempre a intenção por trás do recurso.

Avaliação formativa

Correção coletiva das frases com vício de linguagem. Observação da proposta de correção em duplas.

Lista de exercícios

1. Identifique e corrija a ambiguidade: "Vi o cachorro do meu vizinho correndo na rua."

Gabarito: Resposta aberta — exemplo de correção: "Vi, na rua, o cachorro do meu vizinho, que corria" ou "Enquanto corria na rua, vi o cachorro do meu vizinho" — reescrever deixando claro quem pratica a ação de correr.

2. Classifique o vício e corrija: "Fazem dois anos que ele se formou."

Gabarito: Solecismo (erro de concordância com verbo impessoal). Correção: "Faz dois anos que ele se formou" (verbo "fazer", indicando tempo, é impessoal, sempre no singular).

3. Identifique e corrija a redundância: "Ele subiu para cima e depois desceu para baixo."

Gabarito: "Ele subiu e depois desceu." ("para cima" e "para baixo" são redundantes, já que "subir" e "descer" já indicam essas direções).

4. Explique a diferença entre barbarismo e solecismo.

Gabarito: Barbarismo é um erro na forma da própria palavra (pronúncia, grafia ou flexão incorreta); solecismo é um erro de sintaxe na frase (concordância, regência ou colocação pronominal incorretas).

5. Explique, com suas palavras, por que figura de linguagem e vício de linguagem não são a mesma coisa, mesmo envolvendo às vezes o mesmo tipo de recurso (como repetição).

Gabarito: Resposta aberta — espera-se que o aluno explique que a diferença está na intenção: a figura de linguagem é um recurso expressivo usado propositalmente para dar efeito estético ou de ênfase ao texto, enquanto o vício de linguagem é um erro não intencional que prejudica a clareza ou a correção da comunicação.

Observações e extensão

Módulo concluído. Próximo módulo (8): Língua, Linguagem e Variação. Nota para o professor: vale fechar esta aula retomando o fio condutor de todo o módulo — sentido literal e figurado, implícito e explícito, intencional e não intencional — como preparação para o próximo módulo, que trata de variação linguística.