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Aula 70 — Crase: obrigatoriedade, proibições e casos facultativos

50 min

Objetivo geral

Aplicar as regras de uso da crase, reconhecendo os casos de obrigatoriedade, proibição e facultatividade.

Objetivos específicos

  • Reconhecer a crase como a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a(s)" ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos.
  • Aplicar o teste de substituição por um termo masculino equivalente para verificar a necessidade de crase.
  • Reconhecer os principais casos de proibição de crase.
  • Reconhecer os casos em que a crase é facultativa.

Conhecimentos prévios

  • Artigo definido e contração com preposição (Módulo 3, Aula 2).
  • Regência verbal e nominal (Aulas 4 e 5).

Recursos didáticos

  • Apresentação de slides — Possor_PortAula70_Apresentacao.pptx.
  • Lista de frases com lacunas para decidir sobre o uso da crase, aplicando o teste de substituição.

Desenvolvimento da aula

Acolhida e Sondagem

5 min · Ausubel — ativação de subsunçores

Escrever "Vou a escola" e "Vou à escola" no quadro e perguntar: existe diferença de som e de sentido entre as duas?

Problematização Inicial

5 min · Bachelard — obstáculo epistemológico antecipado

Perguntar: como saber se uma palavra feminina depois de "a" precisa do acento de crase ou não, sem decorar frase por frase? Obstáculo a nomear: achar que crase é uma questão de "decoreba" de frases específicas, sem um teste sistemático por trás.

Desenvolvimento Conceitual

20 min · Exposição dialogada

Crase é a fusão da preposição "a" (exigida por regência verbal ou nominal) com o artigo definido feminino "a"/"as", ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos (aquele, aquela, aquilo). O teste prático mais confiável é substituir o termo feminino por um equivalente masculino: se aparecer a combinação "ao" no masculino, há crase no feminino (Vou a escola → Vou ao colégio = crase: Vou à escola); se aparecer só "a" no masculino, não há crase (Vou a pé → não seria "ao pé" nesse sentido = sem crase). Obrigatória: locuções adverbiais femininas de instrumento/modo/causa (à mão, às pressas), locuções conjuntivas/prepositivas femininas (à medida que), e diante de palavras femininas que pedem o artigo claramente. Proibida: antes de palavra masculina (a pé, nunca "à pé"); antes de verbo (Começou a chorar); antes de pronome pessoal ou de tratamento que não admite artigo (a ela, a Vossa Excelência); antes de substantivo no plural sem determinação (Refiro-me a pessoas, não "às pessoas" em sentido genérico); entre palavras repetidas (cara a cara). Facultativa: antes de nome próprio feminino (Entreguei a/à Maria); antes de pronome possessivo feminino (Entreguei a/à sua colega); depois da preposição "até" (até a/à esquina). Resolvendo o obstáculo: o teste de substituição por um equivalente masculino resolve a maioria dos casos de forma sistemática, sem depender de memorizar frases isoladas.

Resolução Guiada

10 min · Vygotsky — Zona de Desenvolvimento Proximal

Coletivamente, aplicar o teste de substituição em 5 frases para decidir sobre a crase. Em duplas: repetir com 8 frases, classificando cada caso em obrigatório, proibido ou facultativo.

Exercícios de Fixação

7 min · Prática independente

Aplicação individual da lista de exercícios de fixação.

Síntese e Fechamento

3 min · Consolidação (fechamento circular)

Reforçar o teste de substituição masculina como ferramenta prática central para decidir sobre a crase na maioria dos casos do dia a dia.

Avaliação formativa

Correção coletiva da aplicação do teste de substituição. Observação da classificação obrigatório/proibido/facultativo em duplas.

Lista de exercícios

1. Aplique o teste de substituição e decida sobre a crase: "Vou ___ festa" (substitua por "colégio" mentalmente).

Gabarito: "Vou ao colégio" (com "ao") → "Vou à festa" (crase obrigatória, pois há fusão da preposição "a" exigida pelo verbo "ir" com o artigo feminino "a").

2. Corrija, se necessário: "Ele saiu à pé e foi à Brasília."

Gabarito: "Ele saiu a pé e foi a Brasília" — "a pé" nunca leva crase (palavra masculina); "a Brasília" também não leva crase por padrão (nomes de lugares que não admitem artigo, salvo especificação contrária no contexto).

3. Classifique o uso da crase como obrigatório, proibido ou facultativo: "Entreguei o presente à Maria", "Ele se referiu a mim", "Cheguei até à porta".

Gabarito: "à Maria": facultativo (nome próprio feminino). "a mim": proibido (pronome pessoal que não admite artigo). "até à porta": facultativo (crase após "até").

4. Explique como o teste de substituição por um termo masculino ajuda a decidir sobre a crase.

Gabarito: Resposta aberta — espera-se que o aluno explique que, ao substituir o termo feminino por um equivalente masculino, a presença da contração "ao" indica que há fusão de preposição e artigo (logo, crase no feminino); a ausência dessa contração (só "a") indica que não há artigo envolvido, portanto não há crase.

5. Escreva uma frase com crase obrigatória, usando uma locução adverbial feminina.

Gabarito: Resposta aberta — exemplo aceitável: "Ela escreveu a carta às pressas" (locução adverbial feminina "às pressas", crase obrigatória).

Observações e extensão

Próxima aula: crase com demonstrativos, locuções e datas. Nota para o professor: o teste de substituição masculina resolve a maioria dos casos comuns, mas alguns casos específicos (demonstrativos, datas) exigem regras próprias, que serão vistas na próxima aula.